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Que Sta Sara abençoe nossos caminhos!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ciganos estão ameaçados e desamparados diante de vigilantes extremistas na Hungria

  Olá amigos da Tzara,

Todos sabem que a Tzara da Estrela é um Blog que fala de Baralho Cigano, espiritualidade e tradição.

Mas existem coisas que não podemos deixar de mostrar, porque ferem nossa consciência e senso de humanidade.

Muitas vezes aqui no Blog comento coisas sobre o preconceito contra os ciganos, que não me afetam pessoalmente, mas afetam-me diretamente pois acontecem com pessoas que amo e respeito demais, pessoas honradas e de caráter nota mil.

Muito me dói também, ao viajar por outros continentes, ver como meus irmãos são tratados, com medo, ódio ou racismo.

Recebi esse texto vindo das mãos de meu filho, que estuda Ciências Políticas, e foi dado a ele por um professor.

Assim, repasso a vocês, para que possam ver como é difícil e nada romântica a vida dos Ciganos em alguns lugares do mundo…

Quando em nossas preces pedirmos proteção para nossos trabalhos, incluam seus pedidos de proteção aos Ciganos do mundo!

Como rezamos na Oração de Santa Sara:

TU KE BILIDIATO LÊ GADJE ANASSOGODI GUINDISSAS…

Tu que sofrestes todas as formas de humilhação e preconceitos…

Obrigada amigos!

Sastipê!

Sonia Boechat Salema

Hungarian Gypsies_hemanth thiru

Por: Keno Verseck

As fileiras de extremistas da direita vêm aumentando há anos na Hungria, e a população cigana do país está vivendo um terror crescente. O governo do primeiro-ministro Viktor Orbán prefere fingir que não vê enquanto grupos militantes suplantam o Estado de direito.

Um ano atrás, o partido do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, o nacionalista conservador Fidesz subiu ao poder por trás de uma plataforma populista que pregava a lei, a ordem e mais policiamento. Pouco após a posse, ele prometeu um “aumento observável da segurança pública em duas semanas”.

Agora, contudo, seu governo está perdendo a autoridade. A polícia e o judiciário perderam o controle sobre grupos de extremistas da direita crescentes e gangues paramilitares. Nos últimos meses, os extremistas fizeram diversas marchas, principalmente no Leste do país, contra a “criminalidade cigana”. Nas pequenas cidades que serviram de alvo, a polícia preferiu ficar nas arquibancadas. O ativista cigano Aladár Horváth diz que o país foi tomado por um “ambiente de guerra civil’ e de “racismo desenfreado”.

A situação é particularmente sombria na pequena cidade de Gyöngyöspata. Na terça-feira (26/4), radicais de direita entraram na cidade e três pessoas foram feridas nos confrontos resultantes. Dezenas de outros extremistas chegaram na quarta-feira pela manhã. Pelo menos 100 ciganos deixaram a cidade como resultado, de acordo com a agência de notícias MTI.

“Propaganda anti-nacional”

O governo de Orbán até agora procurou minimizar o problema. Em um debate parlamentar sobre a situação em Gyöngyöspata, membros do Fidesz expressaram preocupações com o extremismo de direita. Mas eles também acusaram os socialistas e o Partido Verde Alternativo de “propaganda anti-nacional”. A oposição, disseram os legisladores do Fidesz, está usando incidentes em Gyöngyöspata para danificar a imagem da Hungria no exterior.

O secretário de Estado, Zoltán Balog, responsável por questões relativas à minoria cigana, também preferiu banalizar os problemas gerados pelos grupos de direita. Mas ele admite que as autoridades deveriam ter agido em Gyöngyöspata muito antes para prevenir o aumento da violência.

Isso, contudo, não aconteceu. Já no início de março, o grupo de extrema direita Szeb Jövöért (“futuro melhor”) –o nome vem de uma antiga saudação fascista- apareceu na cidade. Na semana passada, foi o Véderö, outro grupo de militantes de extrema direita, que chegou em Gyöngyöspata para tomar parte nos exercícios de treinamento no final de semana da Páscoa. A polícia proibiu o evento, mas dois terços dos 450 ciganos que moram na cidade partiram de qualquer forma, com medo da violência da direita. Eles passaram a Páscoa em um centro recreativo perto de Budapeste. O êxodo foi organizado por uma fundação dirigida por um empresário americano na Hungria junto com a Cruz Vermelha. O governo, inclusive o secretário de Estado, Zoltán Balog, referiu-se à viagem como “excursão de final de semana”.

O ativista cigano Aladár Horvath diz que o caso de Gyöngyöspata é um sinal que o Estado húngaro retirou-se de certas regiões e deixou-as aos militantes de direita. “Para os ciganos dali, o Estado de direito, polícia e o judiciário simplesmente não existem mais”, diz ele. “Estão desamparados.”

“Criminalidade cigana”

De fato, Gyöngyöspata é apenas um desdobramento de algo que está em curso há anos. A maior parte dos grupos de ativistas de direita tem como modelo a Guarda Húngara, fundada em 2007 como ala paramilitar do partido de direita Jobbik, que recebeu 17% dos votos nas eleições do ano passado. O grupo contava com milhares de membros antes de ser proibido em 2009.

A Guarda Húngara vestia uniformes pretos e tinha o hábito de marchar frequentemente por cidades e vilas para chamar a atenção do que chamava de “criminalidade cigana”, muitas vezes com a aprovação ruidosa dos habitantes não-ciganos. As consequências para os ciganos, contudo, muitas vezes foram cruéis. Em 2008, por exemplo, a Guarda Republicana apareceu várias vezes na vila de Tatárszentgyörgy, ao Sul de Budapeste. Em fevereiro de 2009, um grupo de direita incendiou uma casa de uma família cigana nos limites da cidade. Um homem e seu filho foram mortos a tiros enquanto tentava fugir das chamas; a mulher e a filha foram seriamente feriadas no tiroteio.

Os perpetradores, que mataram um total de seis ciganos escolhidos a esmo e feriram 55 a tiros e em ataques incendiários, foram presos no verão de 2009. Atualmente, eles estão sendo julgados em Budapeste, mas o horror diante de seus crimes não foi disseminado, e as marchas extremistas de direita continuaram.

O Jobbik conseguiu aproveitar sucesso das eleições gerais em abril e garantiu até 30% dos votos no Leste da Hungria em eleições municipais no último outono. Na pequena cidade de Tiszavasvári, com 13.000 habitantes, o candidato a prefeito da extrema direita, Erik Fülöp, recebeu 53% dos votos. O presidente do partido, Gabor Vona, desde então, refere-se à cidade como “a capital de nosso movimento” –uma referência ao apelido de Munique no Terceiro Reich como “capital do movimento”.

Marchando pelos limites da cidade

Fülöp, 29, é advogado e diz coisas como “coexistir com a sociedade cigana é muito difícil, o Estado está pisando nos direitos dos húngaros”. Na semana passada, ele fundou uma gendarmaria para a cidade de Tiszavasvári, paga pelos cofres da prefeitura. A força lembra a gendarmaria húngara que, sob o regime autoritário de Miklós Horthy, foi um tipo de poder político entre as duas guerras mundiais. Além de ter sido notoriamente brutal, o grupo também ajudou a deportar judeus húngaros para os campos de extermínio alemães.

Na semana passada, um número significativo de membros da elite de direita da Hungria viajou para a inauguração da força em Tiszavasvári. O presidente do Jobbik, Gabor Vona, disse ironicamente, que o Ministério do Interior não precisava ter “inveja” da “iniciativa histórica” tomada por seu partido e que eles só querem ajudar a polícia. O prefeito Fülöp disse que ninguém precisava temer a gendarmaria. “Somente os que cometeram crimes precisam ter medo”, disse ele.

No dia seguinte, o grupo fez sua primeira marcha –pelo acampamento de ciganos nos limites da cidade.

Fonte: alt="El País" title="El País" border=0> (Jornal alemão)

2 comentários:

  1. Olá Sônia
    Saudades das suas explicações do baralho cigano.
    Gostaria se possivel uma explicação sobre os naipes ouros paus copas espada beijos carinhosos.

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  2. Kátia estou com a divida, rsss...
    Já falei sobre eles, vc deu uma olhada na parte que fala do Baralho comum?
    Espero que o que está lá possa ir ajudando!
    bjus , anotei!

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